Risco e volatilidade

Risco de cauda

O risco de cauda é a possibilidade de um ganho ou perda invulgarmente elevado nas extremidades de uma distribuição de rendibilidades. O risco de cauda descendente refere-se especificamente a perdas graves.

O que significa

A maioria das rendibilidades diárias das ações situa-se num intervalo relativamente normal. Os resultados de cauda encontram-se nos extremos da distribuição de rendibilidades: ganhos invulgarmente elevados à direita e perdas invulgarmente elevadas à esquerda. Numa análise de risco, risco de cauda refere-se geralmente à cauda descendente, ou esquerda.

Uma variação abrupta do preço entre o fecho e a abertura do mercado é uma possível fonte de perdas de cauda. A divulgação de resultados, a suspensão da negociação ou um choque generalizado do mercado também podem tornar mais provável um resultado extremo. São possibilidades, não previsões sobre qualquer ação em particular.

A dimensão de uma perda e a sua probabilidade são questões diferentes. Uma perda rara pode ter grande importância, mesmo quando a variação diária média parece modesta. As estimativas são incertas porque os eventos extremos são escassos nos dados históricos, e as condições futuras podem diferir do período analisado.

Como se calcula

Não existe uma fórmula universal única para o risco de cauda. Uma forma de descrever a gravidade das perdas é o défice esperado (expected shortfall) a um nível de confiança escolhido: a perda média na fração mais desfavorável dos resultados modelados. O valor em risco (VaR) correspondente é um limiar, não a perda média para além desse limiar.

Para um conjunto hipotético de resultados equiprováveis, um cálculo simples é ES_c = (L_1 + L_2 + ... + L_k) / k, em que:

  • ES_c é o défice esperado ao nível de confiança c, medido em USD quando as perdas são expressas em USD.
  • c é o nível de confiança, expresso em decimal; a 95%, c = 0,95.
  • L_1 a L_k são as perdas nos k resultados mais desfavoráveis, medidas em USD.
  • k é o número de resultados na fração 1 − c mais desfavorável da amostra. Com 100 resultados equiprováveis e c = 0,95, k = 5.

Indique o horizonte temporal juntamente com o resultado. Uma estimativa a um dia e uma estimativa a um mês respondem a questões diferentes. Se as probabilidades dos resultados forem desiguais, utilize perdas de cauda ponderadas pela probabilidade em vez desta média simples.

Exemplo prático

Suponha que uma posição hipotética de 10 000 USD em ações tem 100 resultados modelados, equiprováveis, para um dia. Para simplificar, admita que os cinco resultados mais desfavoráveis são perdas de 400 USD, 500 USD, 600 USD, 800 USD e 1 200 USD, sendo todas as restantes perdas menos elevadas.

  1. Escolha um nível de confiança de 95%. Os 5% de resultados mais desfavoráveis entre 100 correspondem a cinco resultados.
  2. Some as perdas: 400 USD + 500 USD + 600 USD + 800 USD + 1 200 USD = 3 500 USD.
  3. Divida por cinco: o défice esperado estimado a um dia e com 95% de confiança é de 700 USD, ou 7% da posição de 10 000 USD.

Isto não significa que se espere uma perda de 700 USD todos os dias, nem que 1 200 USD seja a perda máxima possível. O cálculo descreve apenas este conjunto hipotético de resultados modelados. Um limiar de VaR a 95% responderia a uma questão diferente: qual é o limite dos 5% de resultados mais desfavoráveis, e não qual é a gravidade média das perdas nesse grupo.

Porque é importante antes de negociar

Uma análise pré-negociação pode avaliar se uma perda invulgarmente elevada seria suportável para a posição ou carteira proposta. A dimensão da posição, a concentração e a exposição ao mesmo evento em várias ações podem afetar o impacto em USD. A diversificação pode reduzir alguma exposição específica a uma ação, mas não elimina os eventos de cauda que afetam todo o mercado.

A volatilidade normal e um VaR a um dia e com 95% de confiança podem ajudar a enquadrar as variações habituais e um limiar de perda, de acordo com os pressupostos utilizados. Nenhum deles garante um limite para as perdas que ultrapassem esse limiar. Uma liquidez reduzida também pode dificultar a execução de uma transação durante uma variação extrema ao preço esperado.

Como a PreTrAIde utiliza este conceito

A PreTrAIde não apresenta um cálculo específico de risco de cauda ou de défice esperado entre as medidas quantitativas que declara. A sua análise pré-negociação calcula o VaR a um dia e com 95% de confiança, a volatilidade diária, medidas de liquidez e a concentração da carteira, que podem servir de contexto para analisar a exposição a perdas. O VaR não mede a gravidade das perdas para além do seu limiar.

Para uma carteira de ações proposta, a PreTrAIde apresenta veredictos GO, NO-GO ou MODIFY, avaliações de risco e uma fundamentação em linguagem clara. Estes elementos servem de apoio à decisão; não são recomendações de investimento nem garantias relativamente a resultados extremos.

Erros comuns

  • Reduzir o risco de cauda a um desvio-padrão elevado: Duas distribuições de rendibilidades podem apresentar volatilidade quotidiana semelhante, mas perdas extremas diferentes.
  • Interpretar o VaR a 95% como uma perda máxima: As perdas para além do limiar podem ser muito maiores.
  • Pressupor que os dados históricos incluem todos os choques possíveis: As amostras históricas podem não incluir eventos raros ou sem precedentes.
  • Somar as perdas de cauda de cada ação sem considerar a dependência entre elas: As ações podem desvalorizar em simultâneo em períodos de tensão, alterando as perdas ao nível da carteira.

Perguntas frequentes

O risco de cauda é o mesmo que a volatilidade?

Não. A volatilidade descreve a dispersão global das rendibilidades, enquanto o risco de cauda descendente se centra em perdas invulgarmente graves. Estimativas de volatilidade semelhantes não implicam necessariamente uma exposição semelhante a perdas extremas.

Qual é a diferença entre risco de cauda e valor em risco?

O risco de cauda é a possibilidade de resultados extremos. O VaR estabelece um limiar de perda para um horizonte temporal e um nível de confiança especificados; não descreve a gravidade das perdas para além desse limiar.

A diversificação pode eliminar o risco de cauda?

Não. A diversificação pode reduzir a exposição a uma única ação, mas as perdas correlacionadas durante um evento generalizado do mercado podem continuar a afetar uma carteira inteira.

Termos relacionados

Risco e volatilidade

Volatilidade histórica Volatilidade implícita Volatilidade anualizada Volatilidade diária Estimador de volatilidade de Parkinson Estimador de volatilidade de Yang-Zhang Modelo GARCH Desvio-padrão Todos os termos do glossário →

Analise a sua próxima operação antes de a executar

Crie uma carteira, faça uma análise pré-negociação e obtenha um veredicto GO, NO-GO ou MODIFY, com os respetivos custos, liquidez e riscos.

Inicie o período experimental gratuito Experimente as ferramentas gratuitas

Conteúdo educativo, não constitui aconselhamento de investimento. A PreTrAIde é um software de análise, não uma corretora: nunca executa ordens e os seus veredictos servem de apoio à decisão, não são recomendações de compra ou venda.