O que significa
Um investidor pode ficar preso a uma opinião sobre uma ação e dar mais atenção às provas que a sustentam do que às que a contrariam. A isto chama-se viés de confirmação. Pode influenciar os artigos que o investidor lê, a forma como interpreta um relatório de resultados e os factos de que se recorda ao rever uma decisão.
O viés diz respeito à forma como as provas são consideradas, não a saber se a crença inicial acaba por estar certa ou errada. Uma opinião bem fundamentada pode estar certa; uma opinião mal testada também pode revelar-se certa por acaso. Nenhum destes resultados, por si só, demonstra que as provas foram avaliadas de forma imparcial.
Como se calcula
Não existe uma fórmula de negociação ou pontuação universal para o viés de confirmação. Um registo simples pode ajudar a perceber se o investidor analisou os dois lados de uma potencial operação, mas não mede a intensidade do viés:
Equilíbrio das provas = C / (C + D)
C= número de elementos relevantes, verificados de forma independente e analisados que sustentam a opinião inicial do investidor, contado em elementos.D= número de elementos relevantes, verificados de forma independente e analisados que contrariam essa opinião, contado em elementos.C + D= total de elementos relevantes analisados. O rácio não tem unidades e é indefinido se nenhum elemento tiver sido analisado.
Este registo conta elementos, não a sua qualidade ou relevância. Vários artigos que repetem uma mesma afirmação não constituem necessariamente várias provas independentes. Um rácio elevado pode indicar que é necessário procurar provas em sentido contrário, mas não permite concluir que o investidor é tendencioso.
Exemplo prático
Considere-se um investidor hipotético que está a avaliar uma ação dos EUA antes de colocar uma ordem. A sua opinião inicial é que o próximo relatório de resultados da empresa irá sustentar a sua tese sobre a ação.
- O investidor analisa oito elementos distintos: seis que sustentam a opinião e dois que a contrariam.
- Aplicando o registo meramente ilustrativo,
C = 6eD = 2, pelo queEquilíbrio das provas = 6 / (6 + 2) = 0,75, ou seja, 75% dos elementos analisados são favoráveis. - Um dos elementos contrários aponta para um crescimento mais fraco das receitas. Em vez de o descartar por contrariar a opinião inicial, o investidor verifica a que período diz respeito e se o valor subjacente é comparável com o dos elementos favoráveis.
Os 75% descrevem a composição da análise, não uma probabilidade de sucesso de 75%. Este valor, por si só, nada diz sobre o valor da ação, a sua cotação futura ou a adequação da operação proposta.
Porque é importante antes de negociar
O viés de confirmação pode deixar o investidor com uma visão incompleta de uma potencial operação. Pode dar destaque a comentários favoráveis de analistas e ignorar os desfavoráveis, ou salientar notícias positivas sem verificar se alteram os riscos. Também pode influenciar a forma como interpreta uma análise pré-negociação que contrarie a sua opinião inicial.
Uma verificação útil antes de negociar consiste em registar a tese inicial, identificar a objeção credível mais forte e anotar que provas levariam a rever a avaliação. Separar a tese de investimento das questões de execução — como o spread, a liquidez e o potencial impacto no mercado — também ajuda a evitar que uma narrativa convincente seja tomada como prova de que a execução de uma ordem será barata.
Como a PreTrAIde o utiliza
A PreTrAIde não afirma detetar nem avaliar o viés de confirmação. A sua análise pré-negociação é uma verificação distinta: o utilizador cria um cabaz de ações, indicando para cada posição o sentido, a quantidade e as condições de execução, e recebe veredictos GO, NO-GO ou MODIFY para o cabaz e para cada posição, acompanhados de uma explicação em linguagem simples.
A análise baseia-se em pontuações quantitativas, notícias recentes e classificações de analistas. O utilizador pode comparar esses resultados com o seu raciocínio inicial e analisar eventuais divergências. Os veredictos apoiam a tomada de decisão, mas não são recomendações; a probabilidade de sucesso é uma estimativa do modelo, não uma garantia nem uma previsão de rendibilidade. Os utilizadores colocam quaisquer ordens diretamente através do seu próprio intermediário financeiro.
Erros comuns
- Considerar qualquer discordância um sinal de viés. Rejeitar um argumento fraco depois de o analisar não é o mesmo que ignorar provas credíveis em sentido contrário.
- Contar manchetes como provas independentes. Várias notícias podem repetir a mesma informação de base.
- Confundir a contagem de provas com uma probabilidade. O número de elementos favoráveis não determina a probabilidade de um resultado favorável.
- Tratar o veredicto de uma ferramenta como substituto do próprio juízo. Uma verificação pré-negociação pode revelar aspetos a considerar, mas não dispensa a avaliação das provas e das suas limitações.