Comece pela empresa, não pelo ticker
Uma ação representa uma participação na propriedade de uma empresa. Um gráfico de preços mostra os preços a que as ações foram transacionadas; não explica quanto a empresa ganha, o que deve ou por que motivo o seu valor poderá mudar.
Comece por perguntas a que consiga responder em linguagem simples:
- O que vende a empresa e quem paga por isso?
- De onde vêm as suas receitas: produtos, subscrições, publicidade ou outra fonte?
- Quais são os seus principais custos, concorrentes e riscos?
- A empresa é rentável? Se não for, como financia as suas operações?
O relatório anual da empresa é um ponto de partida para conhecer a atividade, as demonstrações financeiras e os riscos divulgados. Os comunicados recentes da empresa podem ajudar a identificar o que mudou. Uma notícia é um motivo para investigar, não um substituto da leitura da informação subjacente.
Se não conseguir explicar o que a empresa faz, registe isso como uma lacuna na sua análise. Não precisa de prever o futuro para reconhecer o que apurou — e o que ainda não apurou.
Verifique os dados financeiros básicos
As receitas são o dinheiro que uma empresa recebe; o resultado líquido é o que resta depois de descontadas as despesas, os juros e os impostos. Nenhum dos dois, por si só, conta a história toda. Um investidor iniciante pode comparar vários períodos de reporte e perguntar:
- As receitas e os lucros estão a crescer, a diminuir ou a oscilar?
- A empresa gera fluxos de caixa das atividades operacionais?
- Quanta dívida tem e que pagamentos são devidos?
- Emite mais ações, reduzindo a percentagem de participação de cada ação existente?
Os fluxos de caixa merecem atenção, porque o lucro reportado e o dinheiro recebido podem ser diferentes. Os dados financeiros também precisam de contexto: uma empresa em rápido crescimento e uma empresa madura podem ter padrões de despesa muito diferentes. Compare períodos de reporte equivalentes e verifique se um ganho ou uma despesa invulgar afetou o resultado.
Perceba o que a avaliação diz — e o que não diz
Uma boa empresa não é automaticamente barata ao preço atual das suas ações. A avaliação compara o preço com uma medida da empresa, como os lucros, as vendas ou os fluxos de caixa.
Um ponto de partida comum é o rácio preço/lucro (P/L):
P/L = preço por ação ÷ lucro por ação
Num exemplo hipotético, uma ação cotada a US$40, com um lucro anual por ação de US$2, tem um P/L de 20. Isto significa que o preço da ação corresponde a 20 vezes aquele valor anual do lucro. Não significa que recuperará o seu dinheiro em 20 anos ou que obterá uma determinada rendibilidade.
O P/L não é útil da forma habitual quando os lucros são negativos. Mesmo quando são positivos, duas empresas podem ter P/L diferentes devido às diferenças no crescimento, na dívida, nos riscos e nos resultados contabilísticos. Compare os múltiplos de avaliação com o histórico da empresa e com empresas comparáveis e, depois, pergunte que pressupostos teriam de se verificar para que o preço atual fizesse sentido. A avaliação ajuda a enquadrar a incerteza; não revela um preço justo garantido.
Verifique a própria operação antes de colocar uma ordem
Pesquisar uma empresa e avaliar uma ordem são tarefas distintas. Uma ação pode passar na sua lista de verificação da empresa, enquanto a ordem que pretende colocar ainda pode acarretar custos de execução evitáveis ou ter um impacto desconfortável na sua carteira. Estas são verificações pré-negociação.
Diferença entre compra e venda: o custo visível antes da execução
O preço de compra (bid) é o preço mais elevado apresentado que um comprador está disposto a pagar; o preço de venda (ask) é o preço mais baixo apresentado que um vendedor está disposto a aceitar. A diferença entre ambos é o spread bid-ask.
Imagine que o bid apresentado é de US$49,90 e o ask é de US$50,10. O spread é de US$0,20 por ação. Se comprar 10 ações ao ask, o preço apresentado da compra será de US$501. Em comparação com o ponto médio de US$50,00, isso representa um custo imediato de spread de US$1, ou US$0,10 por ação. Uma venda posterior ao mesmo bid apresentado criaria outra diferença de US$1 face ao ponto médio. As cotações podem mudar e os preços efetivos de execução podem ser diferentes.
Um spread mais amplo pode tornar surpreendentemente dispendiosa uma operação de pequena dimensão. Consulte a cotação atual em vez de presumir que o último preço negociado está disponível para si.
Tipo de ordem: controlo do preço versus certeza de execução
Uma ordem ao mercado procura uma execução imediata aos preços disponíveis, mas não define um preço máximo de compra nem um preço mínimo de venda. Uma ordem limitada de compra define o preço máximo que está disposto a pagar; uma ordem limitada de venda define o preço mínimo que aceita. Uma ordem limitada controla o limite de preço, mas pode ser executada apenas parcialmente ou não ser executada.
Consulte os detalhes de introdução de ordens da sua corretora, incluindo qualquer definição de validade da ordem. Nenhum dos tipos de ordem torna uma operação rentável. A questão relevante é saber se compreende o que pode acontecer entre o envio da ordem e a sua execução.
Dimensão: calcule o valor em dólares e o peso na carteira
Custo da posição = número de ações × preço esperado por ação, antes de comissões e outros custos de execução.
Numa compra hipotética de 10 ações a US$50 por ação, o custo da posição será de cerca de US$500. Se a carteira valer US$5.000, a nova posição representará aproximadamente 10% da carteira (US$500 ÷ US$5.000), supondo que não há outras alterações.
Antes de indicar uma quantidade, decida que montante está disposto a expor a uma única empresa. Depois, verifique se já detém a mesma ação ou se tem uma exposição significativa ao respetivo setor. Vários símbolos de negociação diferentes podem, ainda assim, estar sujeitos a riscos empresariais semelhantes.
Risco por operação: defina a perda que está a analisar
Um exercício simples de planeamento consiste em escolher um preço de saída hipotético e calcular a perda caso a ordem seja executada a esse preço:
Perda planeada = número de ações × (preço de entrada − preço de saída presumido), para uma posição longa, excluindo custos.
Para 10 ações compradas a US$50, com uma saída presumida a US$45, a perda planeada é de US$50. Isso corresponde a 1% de uma carteira de US$5.000 (US$50 ÷ US$5.000). Trata-se de um cenário, não de uma perda máxima possível: o preço pode abrir abaixo de US$45, a ordem pode ser executada a outro preço e os custos aumentam a perda. Numa compra de ações sem recurso a alavancagem, o valor das ações pode cair até zero.
O objetivo é quantificar o risco proposto, tanto em dólares como em relação à carteira, antes de agir.
Verifique a concentração da carteira no seu conjunto
A concentração indica que parte da sua carteira depende de uma posição ou de um grupo de posições relacionadas. Calcule o peso de cada posição dividindo o seu valor de mercado pelo valor de mercado total da carteira.
Por exemplo, se uma carteira hipotética de US$10.000 tiver US$4.000 investidos numa ação, o peso dessa ação será de 40%. Investir noutra ação do mesmo setor pode aumentar a exposição a um risco comum, mesmo que o peso da maior posição individual permaneça inalterado.
Também pode resumir a concentração por posição através do Índice Herfindahl-Hirschman (HHI): some os quadrados dos pesos da carteira expressos em valores decimais. Uma carteira com quatro ações de igual ponderação tem um HHI de 4 × 0,25² = 0,25. Este indicador é descritivo; não capta todas as ligações entre empresas nem determina qual é a carteira adequada.
Lista de verificação pré-negociação para principiantes
Antes de enviar uma ordem de ações, anote as respostas às seguintes perguntas:
- Empresa: Consigo explicar como a empresa ganha dinheiro e identificar os seus principais riscos?
- Dados financeiros: Verifiquei as receitas, os lucros, os fluxos de caixa e a dívida?
- Avaliação: Que métrica estou a utilizar e quais são as suas limitações neste caso?
- Cotação: Quais são os valores atuais do bid, do ask e do spread?
- Ordem: Compreendo o tipo de ordem escolhido e o que significaria uma execução parcial ou a ausência de execução?
- Dimensão: Qual é o custo estimado em dólares e o peso resultante na carteira?
- Perdas potenciais: Que perda implica o cenário escolhido e porque poderá a perda efetiva ser superior?
- Carteira: A operação aumenta uma exposição que já tenho?
Anotar as respostas facilita a identificação de pressupostos que não foram verificados. Não transforma um resultado incerto num resultado certo.
Erros comuns na primeira operação
- Confundir um preço baixo por ação com uma avaliação barata. Uma ação a US$5 não é necessariamente mais barata do que uma ação a US$100; o número de ações e o valor global da empresa também são importantes.
- Tratar o último preço como um preço de execução garantido. As ofertas de compra e venda disponíveis podem diferir do preço da última transação, sobretudo quando as cotações variam ou a negociação é pouco líquida.
- Escolher o número de ações sem verificar o peso na carteira. Um montante aparentemente normal pode representar uma grande parte de uma conta de pequena dimensão.
- Confundir uma saída planeada com um limite de perda garantido. Os preços podem ultrapassar o nível de saída previsto antes de uma ordem ser executada.
- Pesquisar uma empresa e não prestar atenção à carteira. As posições podem estar concentradas numa empresa, num setor ou num país.
- Confundir a probabilidade de um modelo com uma promessa. Uma estimativa descreve a avaliação do modelo, não um resultado garantido nem uma previsão de rendibilidade.
Aprender com a análise pré-negociação e a negociação simulada
Uma análise pré-negociação avalia uma operação proposta antes de ser dada uma ordem. O PreTrAIde permite criar um cabaz com uma ou mais ações, especificar para cada uma o lado (compra ou venda), a quantidade e as condições de execução, e realizar uma análise PreTrade. Apresenta um veredicto GO, NO-GO ou MODIFY para cada linha e para o cabaz, com uma probabilidade de sucesso estimada pelo modelo, uma avaliação do risco, uma estratégia de execução sugerida e uma explicação em linguagem simples. Estes resultados servem de apoio à decisão e não são recomendações; a probabilidade não é uma previsão de rendibilidade nem uma garantia.
As verificações quantitativas incluem o spread estimado, a participação no volume diário, o impacto no mercado, a volatilidade, o valor em risco a um dia e a 95%, a liquidez e a concentração da carteira. Estas estimativas podem ajudá-lo a identificar questões que lhe possam ter escapado, mas não substituem a compreensão da empresa nem a verificação dos dados da ordem em tempo real junto do seu intermediário financeiro. O PreTrAIde não recebe, transmite nem executa ordens; qualquer operação é efetuada por si, através do seu próprio intermediário financeiro.
Depois de receber um veredicto, pode iniciar uma simulação de negociação do cabaz e acompanhar o desempenho que teria tido, sem utilizar dinheiro real. A negociação simulada pode ajudá-lo a praticar o registo de uma tese de investimento, a verificar os pressupostos de execução e a analisar o que aconteceu. Um resultado simulado não corresponde a uma execução real e não permite determinar o desfecho de uma operação futura.